domingo, 12 de fevereiro de 2012

O RASTEJANTE PECADO DA BAJULAÇÃO

Jefferson Magno Costa

     Na tradução da Bíblia mais usada entre os evangélicos brasileiros, a Almeida Revista e Corrigida, não existem as palavras "adulador" ou "bajulador", e sim "lisonjeador". O lisonjeador é o popular "puxa-saco".
     Lisonjear é dirigir elogios interesseiros a alguém. O Dicionário Houaiss define lisonjear como “enaltecer com exagero, visando à obtenção de favores, privilégios”. Creio ser este um assunto muito oportuno de ser tratado com muita atenção em nossos dias, pois o que mais se vê hoje são pastores e outros líderes não-eclesiásticos cercados de bajuladores. 
    Quase todo ser humano é vulnerável ao comentário elogioso, e poucos sabem se defender dos bajuladores. O mega teólogo e grande pregador do evangelho, Aurélio Agostinho (354-430), pregando certa vez sobre os bajuladores, disse magistralmente:    "Prefiro os que me criticam, porque me corrigem, aos que me elogiam, porque me corrompem".
     Todos nós estamos muito mais prontos para ouvir uma palavra de elogio, mesmo sendo mentirosa, do que cem palavras de exortação.

       O rei Henrique IV, da França, resumiu essa nossa vulnerabilidade ao dizer: “Apanham-se mais moscas com uma colher de mel do que com vinte tonéis de vinagre”.
     O livro de Provérbios nos dá uma importante informação sobre adulados e aduladores: “Aos generosos muitos o adulam, e todos são amigos do que dá presentes” (ARA, 19.6). E o apóstolo Judas comenta porque os aduladores agem como agem: “...são aduladores dos outros, por motivos interesseiros” (Jd v.16).

O BAJULADOR CARREGA O BAJULADO NO COLO OU NAS COSTAS
     Na tradução Almeida Revista e Atualizada, da Bíblia, os lisonjeadores são chamados de "bajuladores" e "aduladores". Bajular vem da palavra latina bajulo, e significa “levar algo ou alguém no colo ou nas costas”. 

     O curioso é que, na verdade, o bajulado é quem leva o bajulador nas costas. Manter bajuladores é caro.

     O fabulista francês La Fontaine dizia que “todo bajulador vive às custas de quem o escuta”. A bajulação é um comércio de mentiras que, pelo lado do bajulador, apóia-se no interesse, e pelo lado do bajulado, apóia-se na vaidade.
     Não devemos confiar em quem elogia tudo quanto dizemos ou fazemos. Essa pessoa geralmente é perniciosa, perigosa, e tem segundas intenções. Não é nossa amiga.
     Em 1Tesssalonicenses 2.5, para não ser confundido com os bajuladores, Paulo declarou: “A verdade é que nunca usamos de linguagem de bajulação, como sabeis, nem de intuitos gananciosos. Deus disto é testemunha”. Observe-se que Paulo teve o cuidado de destacar a essência da intenção dos bajuladores: "intuito ganancioso".
     O livro de Provérbios avisa que “o homem que lisonjeia a seu próximo arma uma rede aos seus passos” (Pv 29.5), e que “a língua falsa aborrece aquele a quem ela tem maravilhado, e a boca lisonjeira opera a ruína” (Pv 26.28). Atenção para isso, digníssimo líderes, reverendíssimos pastores!

O BAJULADOR AGRADA O BAJULADO FESTEJANDO-O COMO FAZEM OS CÃES
     Adular é a forma portuguesa do vocábulo latino aduláre, e significa, etimologicamente, “o movimento que o cão faz com a calda ao se aproximar do dono” (Dicionário Houaiss).

     Três séculos antes do nascimento de Jesus Cristo, o filósofo grego Antístenes advertira: “Nada é tão perigoso como a adulação. O adulado sabe que o adulador mente, mas continua a lhe dar ouvidos”.
     O salmista Davi diz no Salmo 12.2: “Cada um fala com falsidade ao seu próximo; falam com lábios lisonjeiros e coração dobrado”. O termo coração dobrado, ou dobre (Tg 1.8), significa, no original hebraico, “a pessoa que diz uma coisa, mas sente outra”. 

     Segundo podemos aprender no livro de Porvérbios, a pessoa que tem coração dobre, tem também língua dobre (Pv 17.20), expressão que lembra muito bem a língua das cobras (animal traiçoeiro). 
     No versículo seguinte (v. 3), o salmista diz que “o Senhor cortará todos os lábios lisonjeiros”. Ora, quem tem os lábios cortados não pode esconder sua língua dobre. Ela ficará exposta a todos, denunciando a falsidade de quem a possui.
     Davi fala também dos que buscam a Deus com insinceridade de coração: “Todavia, lisonjeiam-no com a boca e com a língua lhe mentiam. Porque o seu coração não era reto para com ele, nem foram fiéis ao seu concerto” Sl 8.36,3.

     Mas qual seria a verdadeira intenção do bajulador? Salomão revela: “Trabalhar para ajuntar tesouro com a língua falsa” (Pv 21.6). E Isaías extrai dos próprios bajuladores uma surpreendente confissão reveladora de suas condutas mentirosas: “...pusemos a mentira por nosso refúgio, e debaixo da falsidade nos escondemos” (Is 28.15). 
     Que o Deus de misericórdia nos guarde da amizade e da astúcia dos bajuladores.


Jefferson Magno Costa

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