terça-feira, 6 de setembro de 2016

A FORÇA DA LONGANIMIDADE


Jefferson Magno Costa

Longanimidade é outra das divisões do fruto do Espírito Santo (um gomo, como se esse fruto fosse uma laranja), e caracteriza uma pessoa que enfrenta as adversidades da vida com coragem, perseverança e confiança em Deus. Longanimidade também está relacionada com generosidade e bondade. Quem tem a grande paciência para suportar ofensas e calúnias pode ser considerada uma pessoa longânime.

Nosso ego deve ser resistido
A maior e mais verdadeira prova de amor que podemos dar é negarmos todos os dias o nosso eu e nos esforçarmos para sermos simpáticos e convivermos com pessoas que não vão com a nossa cara, que fingem que não nos veem quando passam por nós, que nos criticam e falam mal de nós pelas costas. É exatamente a essas pessoas que devemos doar a nossa atenção, os nossos cuidados, o nosso amor.

Pois foi exatamente isso que Jesus nos ensinou: “Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem” (Mt 5.44). Devemos compreender, aceitar, apoiar, conviver e amar essas pessoas. Isso é resistir ao nosso ego. O amor afirma, o ódio nega.

Como cultivar a longanimidade?
A longanimidade, esse preciosíssimo componente do fruto do Espírito, nos transforma na pessoa que nos queremos nos tornar, na pessoa que nós queremos ser. Na arte de viver, é preciso aprender ouvir, sorrir e ter paciência. Todavia, ter paciência é difícil, mas o resultado é gratificante. Com a passagem do tempo aprendemos a ter paciência. Quanto menos tempo de vida nos resta, maior é a nossa capacidade de esperar.

Ter paciência é o primeiro passo rumo à realização de um sonho. Aprendamos, portanto, a ter paciência e a esperar. Nem tudo acontece quando queremos. O tempo tem sido meu professor, sua principal lição tem me ensinado a ter paciência, ensinado a esperar. A colheita requer um tempo. Nós, como servos de Jesus Cristo, temos de aprender a ter paciência, saber ouvir e nos colocarmos no lugar do outro, por mais problemático que ele seja, pois quem ouve e compreende tem o dom de se colocar na mesma situação, entender o problema, e dar força para juntos encontrarmos a solução. Deus tem o melhor para cada um de nós. Basta termos paciência, e tudo chegará no momento certo.


A longanimidade é uma bênção

Quem é longânimo também é fiel. O segredo da fidelidade é a eterna vigilância com relação a nós mesmos, e com relação aos nossos compromissos com Cristo. A Palavra de Deus diz em Apocalipse 2.10: “Nada temas das coisas que hás de padecer. Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida”.

Jesus também disse que era para amarmos uns aos outros. Quando se ama, a longanimidade e a fidelidade não custa nada. “É comum ter um amigo, mas a sua fidelidade é rara”, disse o fabulista grego Fedro (15a.C.-50d.C.) E quanto ao amor do esposo pela esposa é tão absurdo dizer que ele não pode amar a mesma mulher durante toda a sua vida, quanto dizer que um violinista precisa de diversos violinos para tocar a mesma música. “Só a pessoa que manda com amor é servida com fidelidade”, disse o grande teólogo espanhol Francisco de Quevedo (1580-1645).


A credibilidade é fruto da longanimidade

O que é credibilidade? É a qualidade daquilo ou de quem é digno de confiança. Por exemplo: A Bíblia é o livro mais crível, de maior credibilidade sobre a face da Terra: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17.17). A pessoa que é digna de credibilidade consegue ou conquista a confiança de alguém; possui crédito. Quantos de nós somos dignos de credibilidade? Quantos de nós possuímos crédito?

Certo professor disse aos seus alunos: “Transportai um punhado de terra todos os dias e no final de alguns anos construireis uma montanha”. O que vale a pena possuir vale a pena esperar. A longânime perseverança faz com que as dificuldades desaparecerem e os obstáculos sumirem. Quem não é longânime corre o risco de ser um traidor. A traição de um amigo é mais dolorosa do que um amor não correspondido. O caso de Judas e Jesus é o maior de todos os exemplos.


Quem é longânimo ama sem ser amado

Podemos definir o inferno com três letras: amor não correspondido. É incrível como Alguém possa romper o seu coração por amor a alguém, e Ele continuar amando essa pessoa com cada um dos pedaços do Seu coração. Foi isso que Jesus Cristo fez por nós: Ele nos amou primeiro quando nós ainda éramos seus inimigos e não o conhecíamos: “Nós o amamos porque ele nos amou primeiro” (1Jo4.19. Veja também: Rm 5.6-9).

Somente aqueles que receberam a Salvação e aceitaram Aquele que pagou o seu preço conhecem o real valor da Salvação! “A Salvação é um mistério de Deus oculto desde a fundação do mundo para ser revelado numa Cruz!” disse o pastor Salomão. Outro pastor, em uma pregação, disse: “Quando a Bíblia entra no homem e o homem na Bíblia, todo o impossível passa a ser possível. Se você ainda está procurando o seu milagre é porque você ainda não entendeu que o maior milagre é a sua salvação! – disse o pastor Francinaldo Araújo.

Talvez haja apenas um pecado capital: a impaciência. Devido à impaciência, fomos expulsos do Paraíso; devido à impaciência, muitos não poderão voltar para lá. Jesus tinha a força perante a qual os outros se dobravam: a calma. Paciência e perseverança têm o efeito poderoso de fazer as dificuldades desaparecerem e os obstáculos sumirem. Aquele que tiver paciência terá o que deseja. Um momento de paciência pode evitar um grande desastre; um momento de impaciência pode arruinar toda uma vida (Provérbio Chinês). A paciência é a única solução para os males que não têm solução. Com paciência e perseverança, muito se alcança. 

Amor não correspondido

Para você que se pergunta se tem algo pior do que amor não correspondido, eu respondo: Tem sim. Aids, fome, racismo, terrorismo, homofobia, câncer, desastres naturais, violência, maus tratos humanos, miséria, mortes. Tudo isso é muito pior do que um amor não correspondido. Mas você não pensa assim, não é mesmo? Claro que não.

Para você que tem casa, comida, o que vestir, dinheiro para sair no final de semana, banda larga na internet, parentes ao seu lado, saúde e uma cama quentinha para dormir nas noites frias, a única coisa que pode faltar na sua vida é (caso você ainda não o tenha) Jesus. Porém, pratique uma atitude de amor: Ofereça o seu Jesus para as outras pessoas, e elas e você serão felizes, pois Ele é quem nos salva, nos cura, nos ensina a verdadeira longanimidade, e nos leva para o Céu.

O grande escritor francês Gustave Le Bon disse que “o homem que não sabe dominar os seus instintos, é sempre escravo daqueles que se propõem a satisfazê-los”. Falando sobre o controle dos impulsos, a Palavra de Deus nos ensina em Provérbios 17.27,28: “Retém as suas palavras o que possui o conhecimento, e o homem de entendimento é de precioso espírito. Até o tolo, quando se cala, será reputado por sábio; e o que cerrar os seus lábios, por sábio”.

Na condução das questões humanas, não existe lei melhor do que o autocontrole, já disse um grande doutrinador religioso. Um grande campeão de boxe declarou que “o verdadeiro campeão vence calado por que sabe que é no silêncio que encontra o autocontrole, e sabe também que o pódio onde ele empunhará o cinturão de campeão é só uma questão de tempo e disciplina...”

O grande pregador britânico John Stott afirmou certa vez que “o autocontrole é, antes de tudo, o controle da mente. O que semeamos em nossas mentes, colhemos em nossas ações. ‘Ler É Viver’ foi o lema de uma recente campanha publicitária. É um testemunho do fato de que a vida não consiste apenas em trabalhar, comer, dormir. A mente tem de ser também alimentada. E o tipo de comida que nossas mentes receberem determinará que tipo de pessoa seremos. Mentes sadias têm um apetite sadio. Temos de satisfazê-las com alimento saudável, e não com drogas e venenos intelectuais perigosos”.

Quando se tem autocontrole, não é qualquer comentário que nos faz perder a paciência. E não devemos esquecer que temos um Deus que pode fazer tudo dar certo. E a nós Sua graça nos basta. Tenham paciência: o futuro é hoje.


Aprendendo a ser longânime

Quem é longânime é constante, paciente e persistente. Exercer a constância é exercitar a permanência. A pessoa constante não é aquela que pratica uma resignação passiva. Longanimidade é um atributo de Deus, conforme Salmo 86.15: “Mas tu, Senhor, és um Deus cheio de compaixão, e piedoso, e sofredor, e grande em benignidade e em verdade”. Longanimidade é parte do fruto do Espírito Santo (Gálatas 5.22).

Olhem que belíssima oração o apóstolo fez aos seus amigos e irmãos em Cristo (Cl 1.9-12): “Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós e de pedir que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual; para que possais andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda boa obra e crescendo no conhecimento de Deus; corroborados em toda a fortaleza, segundo a força da sua glória, em toda a paciência e longanimidade, com gozo, dando graças ao Pai, que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz”. Longanimidade significa colocar-se sob um fardo ou aflição e transformá-lo em Glória.

Como servos de Deus, devemos ser longânimes (pacientes) com todas as pessoas. Bombardeados pelas adversidades, devemos nos manter sob o controle da longanimidade, conforme o apóstolo Paulo fala em Romanos 5.3-5: “E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a paciência; e a paciência, a experiência; e a experiência, a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado”. Quem ama pratica a longanimidade, pois “O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece, 5 não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; 6 não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. (1Co 13 4-7).

Longanimidade é uma qualidade aplicada com mais frequência a Deus. Seu significado original é “afastar a fúria enquanto se sofre uma ofensa ou injustiça”. Quem, senão Deus, pode ser completamente longânime? Somente Ele é “grande em benignidade” e “tardio em irar-se” (Sl 86.15). No entanto nós, cristãos, também podemos nos tornar longânimes pelo poder do Espírito Santo.

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