terça-feira, 14 de julho de 2015

JONAS, O EVANGELISTA QUE TENTOU FUGIR DE DEUS


Jefferson Magno Costa
Leitura bíblica: Jn 3.1,3
     De acordo com o que Jesus ensinou na parábola do semeador, em Mateus capítulo 13, toda mensagem evangélica conta com quatro elementos: o pregador (o semeador), a mensagem (a semente), o ouvinte (os terrenos onde a semente é semeada) e Deus, que trabalha sobre o pregador, a mensagem e o ouvinte.
Vejamos como esses quatro elementos se revelam dentro do livro do profeta Jonas.
O livro de Jonas é composto de quatro capítulos. O 1º. narra o seu chamado e sua fuga. O 2º. narra sua oração no ventre do peixe e sua reconciliação com Deus. O 3º. narra sua segunda chance. O 4º. narra a reação de Jonas ao ver o efeito de sua pregação.
     Em primeiro lugar, vejamos quem era o pregador Jonas.  
I- O PREGADOR

CAPÍTULO 1: FUGA E ORAÇÃO NO VENTRE DO PEIXE
O nome Jonas significa “pomba”. Na Bíblia, essa ave simboliza:
1º. O Espírito Santo, aquele que opera o avivamento.
2º. A ave que conduziu o símbolo da esperança, representada pelo ramo de oliveira que a pomba que Noé soltou da arca trouxe para ele, após as águas do dilúvio abaixarem.
1- O missionário, o pregador, o evangelista Jonas foi convocado, como a pomba do Espírito Santo, a levar o avivamento a Nínive: “Levanta-te, vai e prega” (Jn 3.1). Todos nós temos compromisso com a grande comissão. E toda convocação para cumprirmos a grande comissão começa com essa cobrança de atitude: Levantar-se, ir e pregar.
2- Todos nós temos uma cidade de Nínive aonde Deus nos manda pregar, e para onde muitas vezes não queremos ir. Ir pregar em Nínive significa muitas vezes termos que da nossa zona de conforto para enfrentar situações difíceis e pessoas de coração ruim.
3- Nínive, para muitos de nós, fica logo ali ao lado. Muitas vezes é a casa de vizinhos macumbeiros, que já amanhecem o dia invocando demônios através de músicas de macumba, e quase toda a noite alguns deles ficam possessos e dando berros pelo quintal. A Nínive de outros crentes pode ser o seu local de trabalho, a casa de algum parente ou de algum amigo, o colégio, a faculdade, ou qualquer outro lugar que o crente sinta dificuldade de evangelizar. E nessas horas muitos de nós nos tornamos Jonas.  
4- O Jonas da Bíblia, ao ser convocado por Deus, em vez de agir como uma pomba, conforme o seu nome significava, e ir para Nínive levando nos lábios a mensagem de salvação e avivamento, preferiu comportar-se como um corvo, uma coruja: Fugiu e foi esconder-se no porão escuro e malcheiroso de um navio. E lá ele adormeceu. Não orou. Teve a última chance de falar com o Senhor, mas não o fez.
5- Quem não ora antes da tempestade, vai ter que orar dentro do ventre da tribulação que nos cerca e muitas vezes nos engole, vai ter que orar no abismo da angústia.
6- E quem foge da presença de Deus, paga um alto preço, e desce. Jonas pagou até passagem para fugir, e desceu seis degraus. Desceu para desceu de sua cidade para o porto de Jope, depois desceu para o navio, depois desceu para o porão do navio, depois desceu para o meio das ondas, depois desceu para o ventre do peixe, e finalmente desceu para o fundo do mar. 
7- Jonas desceu todos os degraus possíveis para ficar mais e mais longe de Deus. Ele queria ocultar-se da presença do Senhor. Queria esconder-se no porão da solidão, do isolamento, da fuga de Deus. Mas não esperava que fosse ficar tão escondido daquela maneira, no ventre de um peixe.
8- Quem foge para não fazer a vontade de Deus, termina caindo no poço da depressão. Talvez Jonas tenha pensado que fugindo da terra de Israel, onde a presença de Deus era tão viva e constante, pudesse escapar de seu controle. Esqueceu do que está escrito no salmo 139.7-10.
9- Jonas fugiu movido pelo preconceito. Preconceito racial (Jonas disse: são estrangeiros ninivitas, não são israelitas, merecem o meu desprezo), preconceito social (Jonas pensou: não passam de uma nação de bandidos e assassinos. Merecem é cadeia e pelotão de fuzilamento) e preconceito religioso (adoram a outros deuses, não conhecem ao Senhor. São idólatras, macumbeiros e satanistas. Merecem ser destruídos pelo fogo de Deus).
10- Jonas procurou fugir para a cidade mais distante de Nínive. “Onde não for Nínive, é para lá que eu vou; onde ninguém nunca ouviu falar de Nínive, é para lá que eu vou”. Tarsis ficava a oeste, a 4.800 quilômetros de distância de Nínive, a sudeste da Espanha. Deus mandou o missionário para leste, mas ele resolveu não ouvir a voz de Deus e foi para oeste. Resolveu ele mesmo traçar sua trajetória, assumir o controle de suas prioridades, decidir sobre a direção que tomaria a sua vida ministerial.
11- Quem foge da vontade de Deus, torna-se insensível. O missionário fujão deitou-se e adormeceu. Assim que o navio saiu do porto, Deus mandou uma tempestade. O navio estava quase se partindo, a vida de todos estava em perigo, e o profeta Jonas continuava dormindo o sono do egoísmo e da indiferença.
12- Quem foge da vontade de Deus, atrai problemas para si e para quem está ao seu redor. Os marinheiros, mesmo sendo experientes, sentiram muito medo, pois perceberam que aquela tempestade tinha algo de diferente de todas as outras que eles haviam enfrentado.
13- Quem foge da vontade de Deus, não consegue se esconder durante muito tempo. O mestre do navio o encontrou, e após chamá-lo de dormente, de dorminhoco, levou-o para o convés do navio.
14- A marujada já havia apelado cada um para o seu deus. Eles tinham mais temor aos ídolos deles do que Jonas tinha ao verdadeiro Deus. Tiraram a sorte para saber quem era que estava atraindo aquela tempestade. A sorte caiu sobre Jonas. O missionário fujão foi desmascarado. É no meio das lutas e da tempestade que o mundo fica sabendo quem nós somos: Se somos um crente fiel, ou se somos um crente infiel.
15- Jonas disse que era hebreu, e que temia ao Senhor (ao que os marinheiros devem ter dito: ”me engana que eu gosto”), e que era a causa daquela tempestade, pois fugira para não cumprir a missão que o seu Deus lhe dera. Para acalmar o mar, era só lançá-lo nas ondas.
15- Ao contrário de Jonas, que não se importara com a vida de mais de 120.000 ninivitas, os marinheiros se importaram com a vida do profeta, e não concordaram em lançá-lo no mar. Ainda remaram esforçadamente, tentando alcançar a terra. Viram que era inútil, e lançaram Jonas no meio das ondas. O mar se acalmou imediatamente. Os marinheiros pagãos continuaram demonstrando que eram mais tementes ao Deus de Jonas do que o próprio Jonas, porque pediram perdão a Deus antes de jogarem o profeta rebelde no mar, e em seguida ofereceram-lhe sacrifícios e fizeram votos (v. 16). 
CAPÍTULO 2: A ORAÇÃO E A RECONCILIAÇÃO COM DEUS
1- No capítulo 2, já no ventre do grande peixe, Jonas ora e restaura sua comunhão com Deus. Jonas sentiu que desceu ao coração dos mares, às profundezas do oceano, ao “ventre do inferno”, como ele mesmo se expressou, para só ali abrir o seu coração e falar com Deus.
2- No v. 5 ele falou em três coisas: em águas, que representam a morte (“as águas me cercaram até à alma”); em abismo, que representa o destino dos desobedientes (“o abismo me rodeou”), e em algas, que representam aqui a interferência do Espírito Santo em nosso socorro. Algas no estômago dos peixes irritam e provocam náuseas, levando o peixe a vomitar. Quem foge da vontade de Deus, vira vômito de baleia.
II- A PREGAÇÃO
CAPÍTULO 3: A SEGUNDA CHANCE DE JONAS
1- Jn 3.1-3: “E veio a palavra do Senhor segunda vez a Jonas, dizendo: Levanta-te, e vai à grande cidade de Nínive, e prega contra ela a pregação que eu te disse. E levantou-se Jonas e foi a Nínive, segundo a palavra do Senhor”
2- Nem todo pastor, nem todo profeta, nem todo missionário, nem evangelista recebe de Deus uma segunda chance, como Jonas recebeu.
3- Após ter passado pela escola do estômago da baleia, Jonas finalmente levantou-se e foi cumprir a grande comissão que Deus lhe dera.
4- Mas que semente Jonas usou? Era de se esperar que o profeta pregasse o mais substancioso e eloquente sermão que um profeta judeu já prega em toda a história de Israel. Mas qual foi mesmo o sermão que Jonas pregou?
5- “Ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida (ou destruída)”. O pregador foi curto e grosso. Sua pregação foi composta de 38 letras, que juntas formaram somente sete palavras. Humanamente falando, e de acordo com as leis da Retórica, da Eloquência e da Homilética, com esse sermão não dava para Jonas converter o beberrão mais bobo da birosca mais pobre de Nínive.

III- O OUVINTE

1- Mas quando Deus resolve salvar o pecador, ele transforma a mensagem mais simples em um poderoso instrumento de conversão. Essa curtíssima mensagem de Jonas teve um resultado que nem pregadores como Spurgeon, Jimmi Swagart ou Billy Graham conheceram no auge de seus ministérios. Levou o rei de Nínive a decretar um jejum que envolveu toda a população de mais de 120 mil habitantes, e até os animais. A cidade inteira se arrependeu dos seus pecados, e Deus a perdoou.

IV- A PEDAGOGIA DE DEUS

CAPÍTULO 4: A REAÇÃO DO PREGADOR AO VER O EFEITO DA SUA MENSAGEM
1- Durante todo o tempo em que pregou em Nínive, Jonas apostou que os ninivitas não se converteriam. Ele mesmo não acreditava em sua pregação. Jonas pregou forçado, empurrado. Mas quando ele viu que apesar de sua má vontade, toda a cidade havia se arrependido de seus pecados, jejuado e alcançado o perdão de Deus, ficou emburrado e voltou a ser o mesmo Jonas de antes da experiência no ventre da baleia.
2- Achou que o Senhor não tinha sido justo em aceitar o arrependimento daquele povo sanguinário, que já causara muito sofrimento a Israel. Jonas se achou mais justo que o próprio Deus da justiça. Ele era do tipo do crente que se acha mais cristão que o próprio Cristo.
       3- Jonas deve ter falado em off para si mesmo, depois que viu a cidade de Nínive arrependida e perdoada: “Eu sabia, eu sabia que essa tragédia ia acontecer! O arrependimento e o perdão desse povo terrível são as únicas coisas que eu nunca gostaria de ver na minha vida!” E depois disse diretamente para o Senhor: “O Senhor está vendo agora por que eu não queria pregar para esse povo? Reconhece agora que eu tinha razão quando tentei fugir para Tarsis? O culpado de tudo isso é o Senhor mesmo, por ser um “Deus piedoso e misericordioso, longânimo e grande em benignidade, e que se arrepende do mal” (Jn 4.2).
4- E em seguida pediu para que Deus tirasse a sua vida, pois para ele era insuportável olhar para a cidade de Nínive e não ver labaredas de fogo subindo no horizonte e consumindo todos os prédios, as casas, os homens, as mulheres, as crianças e os animais.
5- A inveja que ele sentia ao ver os ninivitas sorridentes e perdoados colocava-o à beira de sofrer um ataque cardíaco. Então, acalentando no seu coração duro de profeta velho a última esperança de ver Deus arrepender-se de ter perdoado os ninivitas, e torcendo para que o Senhor fizesse cair fogo do céu sobre a cidade, como fizera com Sodoma e Gomorra, Jonas resolveu construir uma cabana, uma espécie de arquibancada, para dali poder assistir a destruição dos ninivitas. Era um espetáculo que ele não queria perder. Afinal, ainda não se haviam passado os quarenta fatídicos dias que ele estabelecera na sua minúscula pregação, e nesse ínterim Deus poderia muito bem mudar de ideia.
6- O calor naquela região era insuportável, e estava quase cozinhando os miolos do profeta, mas calor mesmo iam sentir os ninivitas quando as labaredas de fogo caíssem do céu e transformassem aquela cidade odiosa em um monte de escombros e cinzas. Assim pensava Jonas.
7- Enquanto o “bondoso e misericordioso” profeta enfrentava pacientemente, dia após dia e “por uma boa causa”, o sol escaldante da Mesopotâmia, o Senhor fez nascer uma aboboreira sobre sua cabana, cujas folhas subiram e se amontoaram no teto, trazendo frescor e alívio à sua cabeça, e certamente levando o profeta a pensar com mais lucidez.
8- Alegre por sentir a sombra da aboboreira sobre a sua nobre, justa e merecedora pessoa, o profeta certamente reconsiderou suas expectativas com relação à cidade, e achou que além de fazer cair fogo do céu sobre Nínive, o Senhor poderia muito bem abrir uma imensa fenda de um extremo a outro da cidade, fazendo com que o abismo a engolisse e a fizesse desaparecer para sempre da face da terra. Feliz com suas ideias humanitárias e benéficas à saúde pública, o profeta adormeceu.
9- Mas antes mesmo que o sol surgisse implacavelmente no horizonte, o Senhor enviou um bicho, uma lagarta, que atacou as folhas da aboboreira, levando a planta a murchar e secar. Jonas foi despertado dos seus doces e bondosos sonhos com os fortes e dardejantes raios do sol incidindo sobre sua cabeça, a ponto de desmaiá-lo.
10- Quando voltou a si, o profeta desejou outra vez a morte. Achou que o fato de aquela aboboreira haver murchado tinha representado um desconforto para a humanidade (representada ali unicamente por ele, é claro) só equivalente à perda do jardim do Éden, e um desastre ecológico de proporções tão graves quanto o dilúvio de Noé. E adivinhem sobre em quem ele lançou a culpa de tudo. Sobre o Deus que criara tanto a baleia que o engolira quanto o vermezinho que destruíra as folhas da aboboreira.
11- Na balança da justiça de Jonas, uma aboboreira que ele não plantara nem adubara, e que nascera em um dia e no dia seguinte murchara, tinha mais peso e importância do que mais de 120.000 ninivitas, que nunca haviam sido devidamente esclarecidos sobre o bem e o mal.

CONCLUSÃO:

Certamente, a mensagem que desde o início o Senhor queria que Jonas pregasse a Nínive é esta: “Dize-lhes: Vivo eu, diz o Senhor Deus, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois, por que razão morrereis, ó casa de Israel? (ou Ó casa de Nínive?)” Ezequiel 33.11.

Jefferson Magno Costa

segunda-feira, 13 de julho de 2015

NEGAR: TERRÍVEL PALAVRA É O “NÃO”

Jefferson Magno Costa


       Terrível palavra é um “não”. Em latim, ela expressa de maneira mais clara o quanto é terrível: Non. Não tem direito nem avesso. Por qualquer lado que a tomemos, sempre soa e diz o mesmo. Caso a leiamos do princípio para o fim ou do fim para o princípio, sempre é non (não).     
     Quando a vara de Moisés se transformou naquela serpente tão feroz que ele fugiu dela para que ela não o mordesse (Ex 4.3), o Senhor disse a Moisés que a pegasse pela cauda; ele a pegou, e imediatamente a serpente perdeu a sua ferocidade, a sua peçonha, a sua figura de serpente, e voltou a ser vara (v. 4).     
     O non (não) não é assim. Porque por qualquer parte que você o considerar, sempre é serpente, sempre morde, sempre fere, sempre leva o veneno consigo. Mata a esperança, que é o último remédio que a natureza deixou para todos os males.
       Não há corretivo que o modere, nem arte que o abrande, nem lisonja que o adoce. Por mais que coloquemos açúcar sobre ele para disfarçá-lo, um “não” sempre amarga; por mais que o enfeitemos, sempre é feio; por mais que o douremos, sempre é de ferro. Em nenhuma música o podemos colocar que ele não se mostre malsoante, áspero e duro.

     Uma antiga tradução hebraica de 1Rs 2.16, que registra um pedido que Bate-Seba viera fazer ao seu filho e rei Salomão em nome de Adonias, e é comumente traduzida como: “Assim que agora uma só petição te faço; não ma rejeites”, nessa antiga tradução aparece como: “não me envergonhes a face”.      E por que se chama “envergonhar a face” negar o que se pede? Porque dizer não a quem pede é dar-lhe uma bofetada com a língua. Tão dura, tão áspera, tão injuriosa palavra é um “não”. Para a necessidade, dura; para a honra, afrontosa; para o merecimento, insuportável.
O SENHOR PREFERIU PARAR DE NEGOCIAR COM ABRAÃO A TER DE DIZER-LHE UM “NÃO”
     E se um “não” é tão duro para quem o ouve, creio que não é menor a sua dureza para quem o diz. E será tanto mais duro quanto mais generoso for o coração, e mais soberano o ânimo de quem o houver de pronunciar.

     Dos três anjos que apareceram a Abraão no vale de Manre, os dois que representavam ministros partiram para executar o castigo nas cidades, a começar por Sodoma, e o terceiro ou primeiro que representava a Deus, ficou com Abraão.
       E pelo fato de estar só com Deus ser o melhor momento para negociar com Ele, o patriarca animou-se a pedir a revogação da sentença. Abraão disse assim (Gn 18.24-33):

     “Se porventura houver cinquenta justos na cidade, destruirás também, e não pouparás o lugar por causa dos cinquenta justos que estão dentro dela? Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio; que o justo seja como o ímpio, longe de ti. Não faria justiça o Juiz de toda a terra? Então disse o Senhor: Se eu em Sodoma achar cinquenta justos dentro da cidade, pouparei a todo o lugar por amor deles. E respondeu Abraão dizendo: Eis que agora me atrevi a falar ao Senhor, ainda que sou pó e cinza. Se porventura de cinquenta justos faltarem cinco, destruirás por aqueles cinco toda a cidade? E disse: Não a destruirei, se eu achar ali quarenta e cinco. E continuou ainda a falar-lhe, e disse: Se porventura se acharem ali quarenta? E disse: Não o farei por amor dos quarenta. Disse mais: Ora, não se ire o Senhor, se eu ainda falar: Se porventura se acharem ali trinta? E disse: Não o farei se achar ali trinta. E disse: Eis que agora me atrevi a falar ao Senhor: Se porventura se acharem ali vinte? E disse: Não a destruirei por amor dos vinte. Disse mais: Ora, não se ire o Senhor, que ainda só mais esta vez falo: Se porventura se acharem ali dez? E disse: Não a destruirei por amor dos dez. E retirou-se o Senhor, quando acabou de falar a Abraão; e Abraão tornou-se ao seu lugar.”
     Notável despedida! O anjo não aguardou que Abraão insistisse mais ou rogasse por menos justos. A submissão e a santa reverência com que Abraão insistia e passava de um pedido a outro são admiráveis e digníssimas de que todos as leiam, e fizeram com que o anjo só para ouvi-las se detivesse na companhia de Abraão.
     Pois se tinha aguardado não só com paciência mas com particular agrado, desde a primeira instância até à sexta, por que não esperou a sétima, e se retirou tão súbita e inesperadamente? Para não ser forçado a dizer um “não”.

     Certamente a missão que o anjo trazia estava alicerçada em dois decretos: um condicional, outro absoluto. O condicional era que se nas cidades houvesse até dez justos, o castigo fosse suspenso. O absoluto era que se existissem menos de dez, o castigo fosse executado e as cidades destruídas pelo fogo.
     E como o anjo, que diante das seis petições de Abraão tão benevolamente tinha sempre dito sim, caso Abraão continuasse e insistisse com a sétima, seria forçado a dizer não, para não ter que pronunciar essa duríssima palavra, desapareceu.
       Naquelas cidades não havia mais que quatro pessoas que poderiam ser consideradas justas, compostas de Ló, a esposa e as duas filhas, sua família. Portanto, menos de dez pessoas.

     E para que o anjo não tivesse o dissabor de pronunciar essa palavra tão dura a Abraão, nem ele o desgosto de a ouvir, o representante do Senhor resolveu fugir e desaparecer. Tudo para não ter que pronunciar diante do amigo de Deus a palavra “não”.
Jefferson Magno Costa

(Clique na imagem)

(Clique na imagem)

Visitantes recentes

Top 10 Members

.

.