quarta-feira, 21 de março de 2012

ESCRITORES ROMANOS DO PRIMEIRO SÉCULO DÃO NOTÍCIAS HISTÓRICAS SOBRE JESUS

Jefferson Magno Costa

O MAIS IMPORTANTE HISTORIADOR ROMANO DO TEMPO DOS CÉSARES FALA SOBRE JESUS

Historiador Cornélio Tácito
     O historiador romano Cornélio Tácito, nascido no ano 55 e falecido no ano 120 depois de Cristo, consultou durante muitos anos os documentos existentes nos arquivos do Senado Romano, e quando já dispunha de um farto material, escreveu dois livros: um, intitulado História, e outro, intitulado Anais.
     A importância deste último livro e a autoridade do historiador são hoje reconhecidas no mundo inteiro. No 15º livro dos Anais, a partir do parágrafo XXXVIII, Tácito começa a narrar o terrível incêndio que quase destruiu totalmente Roma no ano 64 d.C.
     Após descrever magistralmente o sinistro, o historiador diz que entre os escombros fumegantes, em meio às centenas de cadáveres e milhares de pessoas chorosas e desabrigadas, começou a se espalhar a notícia de que fora o próprio Nero que mandara incendiar a grande capital do Império Romano.
Nero ateou fogo em Roma e culpou os cristãos
     Além do mais, durante o incêndio, alguém tinha visto Nero tocando sua lira e cantando um hino cuja letra falava da destruição, também pelo fogo, da antiga cidade de Tróia. À luz da metrópole devorada pelas chamas, o sanguinário imperador Nero delirava de satisfação diabólica! Um murmúrio de vingança começou a se espalhar entre o povo.
     Ao saber que a suspeita pesava sobre seu nome, e temendo que a multidão se revoltasse e marchasse contra ele para matá-lo, Nero, o imperador incendiário, “mandou então abrir o campo de Marte, os monumentos de Agripa, e até os seus próprios jardins. Armaram-se barracas às pressas para recolher a gente mais pobre; mandaram vir de Óstia e outros municípios vizinhos todos os móveis necessários; regulou-se a venda do pão pelo preço mais baixo”. (Anais. Parágrafo XXXIX).
     Após citar outras frustradas tentativas de Nero de acalmar e tapear o povo, Tácito escreveu as seguintes palavras conclusivas e de imenso valor para nós, pois fazem referência à existência dos cristãos primitivos e, principalmente, faz menção de Jesus Cristo:
Cristãos sendo mortos
e incendiados por ordem
de Nero no Coliseu Romano  
     “Mas nem todos os socorros humanos, nem as liberalidades do imperador, nem as orações e sacrifícios aos deuses podiam diminuir o boato infamatório de que o incêndio não fora obra do acaso. Assim Nero, para desviar de si as suspeitas, procurou achar culpados, e castigou com as penas mais horrorosas a certos homens que, já dantes odiados por seus crimes, o vulgo chamava cristãos.
     “O autor desse seu nome foi Cristo, que no governo de Tibério foi condenado ao último suplício pelo procurador Pôncio Pilatos. A sua perniciosa superstição, que até ali tinha estado reprimida, já tornava a alastrar-se não só por toda Judéia, origem deste mal, mas até dentro de Roma, aonde todas as atrocidades do Universo, e tudo quanto há de mais vergonhoso vem enfim acumular-se, e sempre acham acolhimento.

Leões sendo soltos para devorar
cristãos no Coliseu Romano
      "Em primeiro lugar se prenderam os que confessavam ser cristãos, e depois, pelas denúncias destes, uma multidão inumerável, os quais, além de terem sido acusados como responsáveis pelo incêndio, foram apresentados como inimigos do gênero humano.
     “O suplício destes miseráveis foi ainda acompanhado de insultos, porque ou os cobriram com peles de animais ferozes para serem devorados pelos cães, ou foram crucificados, ou os queimaram de noite para servirem como archotes e tochas ao público.
     "Nero ofereceu os seus jardins para este espetáculo, e ao mesmo tempo dava-se os jogos do Circo, misturado com o povo em trajes de cocheiro, ou guiando carroças. Desta forma, ainda que culpados e dignos dos últimos suplícios, mereceram a compaixão universal por se ver que não eram imolados à utilidade pública, mas aos passatempos atrozes de um bárbaro.” (Tácito. Anais. Tradução de J.L. Freire de Carvalho. W.M. Jackson Inc. Rio de Janeiro. 1950. pp 405-409).

MULHER DA ALTA SOCIEDADE ROMANA DO TEMPO DE NERO ACEITA JESUS COMO SALVADOR

     O interessante é que, além desse preciosíssimo e assombroso testemunho sobre a existência histórica de Cristo deixado por esse mundialmente conceituado historiador romano, Tácito deixou também em seu livro Anais outro importante registro relacionado com o cristianismo, quando falou do julgamento de uma mulher pertencente à alta sociedade romana, chamada Pompônia Grecina.

Pompônia Grecina
      Essa mulher foi acusada de ter passado a fazer parte do número de pessoas que praticavam “uma superstição importada”. Hoje, sabemos que essa “superstição importada” não era outra coisa senão o cristianismo.
     Além do mais, foram descobertas nas Catacumbas de Roma inscrições datadas do século III, fazendo referência à família Pompônia (gens pomponia), com vários de seus membros convertidos ao cristrianismo.
     Numa sociedade apodrecida pelo pecado, amante de inúmeros vícios e propagadora da degradação em todas as camadas sociais, a súbita mudança no comportamento de Pompônia Grecina causou espanto a todos os que a conheciam. Ora, que força, que motivo, que poder haveria de mudar completamente o comportamento de uma mulher depravada da Corte de Nero, senão a poderosa e transformadora atuação de Jesus Cristo no mundo romano, cuja mensagem evangélica havia sido recentemente levada para lá pelos primeiros cristãos?
     Eis o importante registro de Tácito, cujo olhar de historiador não teve penetração suficiente para ver na mudança de comportamento daquela mulher um sinal de sua conversão ao cristianismo; viu tão-somente naquela mudança um luto pela morte de Júlia, filha de Druso:
     “Pompônia Grecina, dama da alta sociedade (esposa de Aulo Plácio, que fez jus, como já mencionado, à vocação com sua campanha contra a Grã-Bretanha), foi acusada de aderir a uma superstição importada; o próprio marido a entregou; segundo precedentes antigos, apresentou aos membros da família o caso que envolvia a condição legal e dignidade da esposa.
     "Esta foi declarada inocente. Pompônia, porém, passou a transcorrer sua longa vida em constante melancolia; morta Júlia, filha de Druso, viveu ainda quarenta anos trajando luto e fartando-se de tristeza. Sua absolvição, ocorrida em dias de Cláudio (Nero), veio a ser-lhe motivo de glória.” (Anais. Livro XIII. Parágrafo XXXII. Citamos o texto reproduzido por Henry Betenson, em Documentos da Igreja Cristã. Trad. Helmuth Alfredo Simon. Aste. São Paulo. 1967. P.26).

SUETÔNIO E O I TROCADO PELO E NO NOME DE CRISTO

     Outro historiador romano que fez duas importantes referências históricas a Jesus Cristo foi Caio Suetônio Tranquilo (69-141 d.C.). Ele foi, ao mesmo tempo, militar e escritor.

A Vida dos Doce Césares, de Suetônio
       Ingressando na vida política, tornou-se senador. Nas horas vagas, Suetônio dedicava-se à pesquisa histórica, ao estudo dos costumes romanos, e como produto de suas pesquisas escreveu oito livros, dos quais só um chegou até nós: A Vida dos Doze Césares. Neste livro, Suetônio afirma que o imperador Tibério “expulsou de Roma os judeus que viviam amotinados por incitamento de Cresto”.(A Vida dos Doze Césares. Trad. Sady Garibaldi. Atena Editora. São Paulo. 3º Ed. 1950.)
     Ora, esses judeus eram os primeiros cristãos; eles haviam abandonado o judaísmo após aceitarem a pregação dos apóstolos, e Cresto não era outro senão Cristo. Não muito bem informado acerca do cristianismo, o historiador Suetônio escreveu erradamente o nome de Cristo, e supunha que o próprio Jesus (e não os apóstolos) estivera pessoalmente em Roma, “influenciando” os cristãos a se entregarem à prática de uma religião contrária ao paganismo romano.
     Essa expulsão registrada por Suetônio ocorreu nos dias do imperador Tibério Cláudio Druso, e coincide com o que ficou registrado em Atos 18.2: “Lá (Paulo) encontrou certo judeu chamado Áquila, natural do Ponto, recentemente chegado da Itália, com Priscila, sua mulher, em vista de ter Cláudio decretado que todos os judeus se retirassem de Roma. Paulo aproximou-se deles.”
     Ao falar sobre a vida do sucessor de Tibério, que não foi outro senão o satânico Nero Cláudio César, Suetônio torna a fazer referência aos cristãos (e indiretamente, ao originador dos cristãos, Jesus Cristo), confirmando assim o que já havia sido registrado por Tácito. Diz Suetônio que, sob o reinado de Nero, “aos cristãos, espécie de homens afeitos a uma superstição nova e maligna, infligiram-se-lhes suplícios.” (Idem, p.280).
     Todos esses documentos, apresentados até agora são mais do que suficientes para fazer silenciar todas as satânicas insinuações de que Jesus Cristo nunca existiu. Que mito, que fantasma, que figura lendária seria capaz de levar milhares de pessoas a morrerem por não negarem o seu nome? Os judeus ou cristãos daquela época teriam criado uma lenda, a fim de morrerem por ela? De modo algum.
     A impressão, as marcas e a fé que Jesus deixou em suas almas tornaram-se cada dia mais vivas, e ninguém as conseguiu apagar. Tentativas não faltaram, como a do governador da Bitínia, cidade da Ásia Menor, autor da terceira fonte de referência histórica aos cristãos (e, consequentemente, a Jesus Cristo, pois não teriam surgido os cristãos se Cristo não tivesse sido uma pessoal real, histórica). Esse governador chamava-se Plínio, o Moço.

PLÍNIO, GOVERNADOR ROMANO, FALA SOBRE OS CRISTÃOS

    No ano 112 d.C., o político romano Plínio, o Moço (62-113) (ele era conhecido como “o Moço”, pois havia um Roma outro Plínio, o Velho, seu tio) enviou uma carta ao imperador romano, Trajano, pedindo-lhe orientações quanto ao tratamento que deveria dar aos cristãos que estavam sendo perseguidos e presos na região onde ele, Plínio, governava.
     Ora, naquela região viviam os “eleitos que são forasteiros da Dispersão no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia”,a quem Pedro destinou sua primeira epístola (1 Pedro 1.1). Devido à sua importância para a história do Cristianismo, e por ser um documento pouco conhecido pelos evangélicos brasileiros, transcreveremos a carta de Plínio integralmente, reproduzindo-a conforme ela se encontra no livro As Grandes Cartas da História, de autoria de M. Lincol Shuster (Trad. Manuel Bandeira. Companhia Editora Nacional. Rio de Janeiro, 1942. pp.37-39):
     “Adotei, senhor, como regra inviolável recorrer às vossas luzes em todas as minhas dúvidas; pois quem mais apto a remover os meus escrúpulos ou a guiar-me nas minhas incertezas do que vossa pessoa?
     "Nunca tendo assistido aos julgamentos de cristãos, ignoro o método e os limites a serem observados no processo e punição deles: se, por exemplo, alguma diferença deva ser feita com respeito à idade ou, ao contrário, nenhuma distinção se observe entre o jovem e o adulto; se o arrependimento admite perdão; se a um indivíduo que foi cristão aproveita retratar-se; se é punível a mera confissão de pertencer ao cristianismo, ainda que sem nenhum ato criminoso, ou se só é punível o crime a ela associado. Em todos esses pontos tenho grandes dúvidas.

Estátua de Plínio, o Moço
      “Por enquanto, o método por mim observado para com aqueles que me foram denunciados como cristãos tem sido o seguinte: pergunto-lhes se são cristãos; se confessam, repito duas vezes a pergunta, acrescentando uma ameaça de punição capital; se perseveram, mando executá-los; pois estou convencido de que, qualquer que seja a natureza do seu credo, uma obstinação contumaz e inflexível certamente merece castigo. Outros fanáticos dessa espécie me têm sido trazidos que, por serem cidadãos romanos, remeto para Roma.
     “Essas acusações, pelo simples fato de estar sendo o assunto investigado, começaram a estender-se, e várias formas do mal vieram à luz. Afixaram um cartaz sem assinatura, denunciando pelo nome grande número de pessoas. Aqueles que negaram ser ou ter sido cristãos, que repetiram comigo uma invocação aos deuses e praticaram os ritos religiosos com vinho e incenso perante a vossa estátua(a qual para este propósito mandei buscar juntamente com as dos deuses), e finalmente amaldiçoaram o nome de Cristo (o que não se pode arrancar de nenhum verdadeiro cristão), julguei acertado absorver.
     “Outros que foram denunciados pelo informante confessaram-se a princípio cristãos, depois o negaram; de fato, haviam sido cristãos, mas abandonaram a crença (uns faz três anos, outros há muito mais tempo, sendo que alguns há cerca de vinte e cinco anos). Todos prestaram culto à vossa estátua e às imagens dos deuses, e amaldiçoaram o nome de Cristo.
     “Afirmaram, contudo, que todo o seu crime ou erro se reduzia a terem se encontrado em determinado dia antes do nascer do sol, cantando então uma antífona (pequeno versículo cantado, antes ou depois de um salmo) como a um Deus, ligando-se também por solene juramento de não cometer más ações, e de nunca mentir e de nunca trair a confiança neles depositada; depois do que, era costume se separarem, e então se reunirem novamente para tomarem em comum algum alimento – alimento de natureza inocente (inofensiva).
     “Todavia, até esta última prática haviam abandonado após a publicação do meu edito, pelo qual, de acordo com as vossas ordens, proibira eu as reuniões políticas. Julguei necessário empregar a tortura para ver se arrancava toda a verdade de duas escravas chamadas diaconisas. Nada, porém, descobri, senão excessiva superstição.
     “Julguei por isso de bom aviso adiar qualquer resolução nesta matéria, a fim de pedir o vosso conselho. Porque o assunto merece a vossa atenção, especialmente se se levar em conta o número de pessoas em risco: indivíduos de todas as condições e idades, e dos dois sexos, estão e serão envolvidos no processo. Pois esta contagiosa superstição não se confina nas cidades somente, mas espalha-se pelas aldeias e pelos campos.
     "Todavia parece-me ainda possível detê-la e curá-la. Os templos, pelo menos, que andavam quase desertos, recomeçaram agora a ser frequentados, e as solenidades sagradas, após uma longa interrupção, são de novo revividas; e há geral procura de animais para os sacrifícios, para os quais até bem pouco tempo poucos compradores apareciam. Por aí é fácil imaginar a quantidade de pessoas que se poderão salvar do erro, se deixarmos a porta aberta ao arrependimento.”
     A importância desta carta como documento sobre as origens do cristianismo é reconhecida por todos os historiadores da Igreja, e vem sendo citada pelos escritores cristãos, desde o tempo do apologista de Tertuliano e o historiador Eusébio de Cesaréia.
      Sem ter sido esta a sua intenção, através desta carta, o governador Plínio nos forneceu um grandioso testemunho da propagação do cristianismo já no início do Século II. É um precioso documentário sobre a fé e a maneira como se reuniam em culto, e como eram perseguidas as primitivas comunidades cristãs.
     As dificuldades que nossos irmãos da Igreja Primitiva enfrentavam em todas as regiões dominadas pelo Império Romano eram tremendas. Além de serem acusados de ateus(!) por não cultuarem os deuses romanos, três outras grandes acusações pesavam sobre os cristãos: a de praticarem infanticídio (assassinato de crianças), canibalismo (comer carne humana), e incesto (relação sexual entre parentes). Um apologista cristão daquela época, chamado Atenágoras, escreveu no seu livro Legação em Favor dos Cristãos: “Somos acusados de três coisas: ateísmo, comermos nossos próprios filhos e haver entre nós relações sexuais entre filhos e mães.”

A RESPOSTA DO IMPERADOR TRAJANO


Imperador Trajano
     O interessante é que esta carta de Plínio não ficou sem resposta. O imperador Trajano, que reinou de 98 a 117, respondeu a carta de Plínio, aconselhando o Governador da Bitínia a agir com prudência no trato com os cristãos. Eis a resposta do Imperador, conforme se encontra no livro Documentos da Igreja Cristã (p.30):
     “No exame de denúncias contra feitos cristãos, querido Plínio, tomaste o caminho acertado. Não cabe formular regra dura e inflexível, de aplicação universal. Não se pesquise. Mas se surgirem outras denúncias que procedam, aplique-se o castigo, com essa ressalva de que se alguém negar ser cristão e, mediante a adoração dos deuses, demonstrar não o ser atualmente, deve ser perdoado em recompensa de sua emenda, por muito que o acusem suspeitas relativas ao passado. Não merecem atenção panfletos anônimos em causa alguma; além do dever de evitarem-se antecedentes iníquos, panfletos anônimos não condizem absolutamente com os nossos tempos.”
     Se Cristo não tivesse sido uma pessoa real, histórica, estas duas cartas não existiriam hoje, pois não haveria cristãos no mundo para motivá-las.

O IMPERADOR ADRIANO DEMONSTRA PREOCUPAR-SE COM A SITUAÇÃO DOS CRISTÃOS

     De 117 a 138, o Império Romano teve Adriano como imperador. Durante o seu reinado, esse soberano fez duas referências aos cristãos. A primeira delas foi em uma carta que ele dirigiu a Minúcio Fundano, que por volta do ano 125 d.C. era proconsul na Ásia.

Imperador Adriano
      Em sua carta, Adriano deu instruções ao proconsul sobre a maneira como deveriam ser tratados os cristãos, que em todas as regiões dominadas pelo Império Romano continuavam sendo denunciados, perseguidos, presos, e muitos deles mortos. Eis a carta, conforme foi divulgada pelo historiador Eusébio no capitulo 9 do livro IV de sua Historia Eclesiástica:
     “Elio Adriano Augusto, a Minúcio Fundano, proconsul, saúde. Recebi cartas dirigidas a mim por Serênio Graniano, varão esclarecido, teu antecessor. Certamente parece-me que este assunto não deve ser tratado de qualquer maneira, sem um exame criterioso, para que os cristãos não sejam perturbados, e para que não se dê aos delatores ocasião de caluniar.
     "Portanto, se os habitantes das províncias podem se fazer presentes em seus processos judiciais contra os cristãos, de tal modo que respondam diante do tribunal, procurem unicamente que não se use de petições e clamores. Porque será muito mais justo que tu descubras se alguém está só com a intenção de acusar. Se alguém denunciar os cristãos e provar que eles têm agido contra a lei, toma uma decisão contra os acusados conforme a gravidade do delito. Mas se, conforme estou suspeitando, o acusador pretender unicamente caluniar, tu lançarás mão dos meios para castigar (o acusador), conforme a gravidade do crime.”
     Foi uma atitude muito justa da parte desse imperador! Oito anos depois, Adriano tornou a fazer referências a Jesus e aos cristãos, quando escreveu ao cônsul Serviano. Adriano disse em sua carta que os egípcios eram pessoas superficiais, pois da mesma forma que trocavam Serápide (divindade egípcia) por Cristo, tornavam a trocar Cristo por Serápide.


Jefferson Magno Costa

sexta-feira, 16 de março de 2012

PASTOR DESCOBRE GRANDE TESOURO ÀS MARGENS DO MAR MORTO

Jefferson Magno Costa

     No início de 1947, um pastor beduíno da tribo dos Tamirés saiu à procura de uma de suas cabras que se desgarrara do rebanho e se perdera entre as rochas situadas na margem ocidental do Mar Morto. Aquele humilde criador de cabras, chamado Muhammad Dib, jamais poderia imaginar que sua busca o levaria ao local onde se encontrava um grande tesouro.
     Após caminhar durante várias horas sem conseguir qualquer vestígio da cabra perdida, Muhammad Dib foi atraído por uma sombra escura e estreita situada em um dos lados de um rochedo. Seria uma caverna? Sim, era uma caverna.
     Não havia qualquer sinal de vida entre aquelas rochas imensas, mas o pastor não resistiu à curiosidade e resolveu examinar o interior da cavidade. Não era fácil aproximar-se da estreita entrada oculta entre os rochedos.
     Com muita dificuldade, Muhammad Dib conseguiu uma posição que lhe tornou possível jogar uma pedra para o interior daquele lugar misterioso e escuro. O barulho que ele ouviu encheu-o de surpresa e medo. Algo como um vaso de barro – um jarro ou um cântaro, por exemplo –, quebrara-se lá dentro! Muhammad Dib fugiu.
     Havia um motivo que justificava o seu medo: há quase um quilômetro dali encontravam-se as ruínas e o cemitério do antigo mosteiro dos essênios – uma das três principais seitas religiosas judaicas do tempo de Jesus Cristo. Aquele mosteiro tinha um nome: Khirbet Qumran.
     Os beduínos (árabes do deserto) procuravam evitar andar sozinhos naquele lugar, cuja história mergulhava em um passado misterioso e distante.
     Muhammad Dib, após correr e caminhar muito, encontrou um amigo, também pastor beduíno, relatou-lhe rapidamente o ocorrido, e ambos voltaram, levando cordas e armas para explorarem o interior da caverna. Lá dentro encontraram grandes potes de barro, com cerca de 60 centímetros de altura, enfileirados junto á parede. As bocas de todos eles estavam lacradas.
     – Achamos um tesouro! – disseram um para o outro. E imediatamente quebraram um daqueles potes para ver o que ele guardava. Para quem esperava encontrar jóias, moedas de ouro ou pedras preciosas, a decepção foi grande.
     Diante dos olhos ambiciosos daqueles dois pastores rudes apareceram rolos de pergaminho (couro de ovelha) e papiro (antigo material usado pelos escribas como livro, derivado de uma planta que nasce às margens do rio Nilo, no Egito).
     Os rolos haviam sido cuidadosamente envolvidos em panos de linho. Aqueles pastores do deserto jamais poderiam imaginar que estavam contemplando algo que valia mais do que moedas de ouro ou pedras preciosas. Ali estavam os mais antigos documentos da Bíblia já encontrados. Há exatamente 1877 anos (quase dois milênios!) aqueles documentos haviam sido colocados no interior daquela caverna.

ISAÍAS FALA OUTRA VEZ!

     Entre aqueles velhos rolos encontrava-se um pergaminho com oito metros de comprimento por 25 centímetro de largura. Era o livro do profeta Isaías! Se aqueles rudes pastores e comerciantes soubessem ler o hebraico antigo, teriam testemunhado o cumprimento do versículo 8 do capítulo 40 daquele livro: “Seca-se a erva, e cai a sua flor, mas a palavra do nosso Deus permanece eternamente” (Is 40.8).
     Aquele rolo era semelhante àquele que deram a Jesus para que Ele lesse na sinagoga de Nazaré, diante do povo: “Então lhe deram o livro do profeta Isaías...” (Lc 4.1-7a).
     O grande arqueólogo francês Andre Parrot, após examinar o rolo anos mais tarde, escreveu sobre isso um interessante comentário: “Os movimentos das mãos de Jesus estão agora mais próximos de nós, pois na parte de trás do pergaminho ainda se vêem vestígios deixados pelos dedos dos antigos leitores”.







LUZ SOBRE O ANTIGO TESTAMENTO
     Graças ao clima seco do lugar onde os potes foram guardados, os manuscritos puderam resistir à passagem de 19 séculos, sendo tão-somente visitados por serpentes, lagartos e hienas da região. À semelhança de soldados no posto de vigilância, aqueles potes, aqueles cântaros estreitos e altos permaneceram ali, guardando as mais antigas cópias da Palavra de Deus!
     Para se ter uma ideia do valor daqueles rolos, basta saber que os mais antigos manuscritos em hebraico que tínhamos do Antigo Testamento datavam do ano 916 d.C. 
     Porém, dispúnhamos também de duas traduções mais antigas que esses manuscritos: a tradução da Bíblia hebraica para o grego, realizada por 70 sábios (daí o nome: Septuaginta), por volta do ano 250 a.C., e a tradução da Bíblia hebraica para o idioma latino, realizada pelo erudito cristão Jerônimo, no século IV d.C. (conhecida como Vulgata).
     Diante disto, os críticos da Bíblia, os perseguidores das Escrituras Sagradas, apresentavam o seguinte problema: “Como podemos confiar no Antigo Testamento se a cópia mais antiga que temos dele foi escrita nove séculos após o tempo em que viveu Jesus Cristo?
     Como podemos saber se esse texto hebreu corresponde ao texto redigido há tantos séculos pelos profetas – escritores do Antigo Testamento, que viveram, no mínimo, em uma época 400 anos anterior à época do próprio Jesus? Quem nos garante que do tempo de Jesus até o ano 900 não houve alterações no que está escrito no Antigo Testamento?”
     Foram os rolos encontrados entre aquelas rochas á margem do Mar Morto que trouxeram respostas para todas essas perguntas. Deus havia providenciado para que aqueles documentos aparecessem exatamente em uma época em que a autenticidade de sua Palavra estava sendo satanicamente posta em dúvida.
     Não só naquela caverna, mas em outras dez, descobertas nos anos seguintes a 1947, foram encontrados pergaminhos e papiros, guardados segundo o mesmo processo dos primeiros.
     Os pastores perceberam que nos rolos havia muitas coisas escritas, mas não souberam traduzi-las, pois não conheciam aquele idioma. Ao longo da parede havia mais potes de barro, e dentro deles os beduínos só encontraram rolos. Quem os teria colocado ali? Aquele material valeria alguma coisa?
     Frustrados diante do achado, os beduínos resolveram sair da caverna levando oito daqueles rolos (os que estavam em melhor estado de conservação) para tentar vendê-los em Jerusalém.
     Conseguiram fazer com que alguns antiquários se interessassem por eles, e os venderam por uma ninharia. Jamais poderiam imaginar que um só daqueles manuscritos seria comprado tempos depois por 250 mil dólares!

 
FÍSICOS NUCLEARES EXAMINAM OS MANUSCRITOS
     Trinta e oito rolos encontrados nas 11 cavernas posteriormente descobertas nas proximidades do velho mosteiro de Qumram correspondiam a 19 livros do Velho Testamento.
     Além desses rolos (entre os quais, o que estava em melhor estado de conservação era o manuscrito do livro de Isaías), foram encontrados, após a exploração das cavernas de Qumran por equipes especializadas, fragmentos de todos os outros livros do Antigo Testamento, com exceção do livro de Ester, e cerca de 40 mil fragmentos (de papiro ou pergaminho) inscritos: eram antigos livros que não haviam resistido ao manuseio furioso e irresponsável dos rudes pastores beduínos que correram gananciosamente para as cavernas de Qumram à procura de tesouros, logo após saberem que Muhammad Dib e seu amigo haviam encontrado velhos cântaros no interior de uma caverna.
     Com esses fragmentos foram reconstituídos, pelos cientistas, mais de 500 livros, sendo que 100 deles pertencem ao Antigo Testamento (alguns desses livros tinham vários exemplares repetidos).
      Cinco dos oito rolos retirados da primeira caverna foram comprados, meses após a descoberta, pelo arcebispo Jeshue Samuel, da Igreja Ortodoxa Síria, em Jerusalém. Entre eles estavam, além do rolo completo do livro do profeta Isaías, o Manual de Disciplina usado pela comunidade essênica que vivia naquela desértica região onde situava-se o mosteiro de Khirbet Qumran (foram os essênios que haviam escondido, no ano 70 d.C. todos aqueles antigos livros nas cavernas, por uma razão que explicaremos a seguir), e o comentário de Habacuque.
     Os outros três rolos foram comprados pelo professor Sukenit, da Universidade Hebraica, em Jerusalém. O professor logo constatou que se tratava de manuscritos extraordinariamente antigos.
     O arcebispo Jeshue Samuel, que não sabia ler hebraico, entrou em contato com John Trever, diretor da Escola Americana de Investigações Orientais em Jerusalém.
     Trever examinou os manuscritos, e conseguiu fotografar, coluna por coluna, todo o livro do profeta Isaías. Em seguida enviou cópias dessas fotos para os Estados Unidos, endereçadas ao doutor W.F. Albright, da Universidade John Hopkins, considerado o maior arqueólogo bíblico norte-americano daquela época.
     Poucos dias depois, o doutor Albright telegrafou a John Trever: "Minhas calorosas felicitações pela maior descoberta de manuscritos nos tempos modernos!... Que descoberta absolutamente incrível! E, felizmente, não pode existir nem a mais leve dúvida no mundo com respeito à autenticidade desses manuscritos!” Albright assegurou que aquele rolo do livro do profeta Isaías havia sido escrito por volta do ano 100 antes de Jesus Cristo!
     Ora, isto significa que aquele manuscrito era mais de 1000 anos mais antigo do que o mais antigo manuscrito do Antigo Testamento que possuíamos até o ano de 1947! Os outros rolos encontrados nas demais cavernas haviam sido escritos entre o ano 200 antes de Cristo. Mas como era possível estarmos certos dessas datas? O que ou quem nos garantiria que aqueles rolos eram realmente antigos?
     Essa aparente dificuldade foi resolvida quando o arcebispo Jeshue Samuel, à convite dos norte-americanos, visitou os Estados Unidos, levando consigo seus valiosíssimos rolos, que foram parar no Instituto Oriental de Chicago, onde cientistas do Instituto de Física Nuclear os examinaram e os submeteram a um teste infalível, usando o contador Geiger. O método utilizado foi descrito por Werner Keller, no seu livro E a Bíblia Tinha Razão:
    “Esse método tem por base o seguinte raciocínio: em virtude do bombardeamento dos raios cósmicos que, vindos do espaço penetram incessantemente na atmosfera da Terra, o azoto transforma-se no isótopo radioativo de carbono 14. Todo ser vivo – homem, animal, planta – absorve diariamente, durante a vida inteira, C14, com o alimento e o ar que respira. No decurso de 5.600 (cinco mil e seiscentos anos), esse carbono perde a metade de sua radioatividade primitiva. Em toda substância orgânica morta é possível verificar, com um aparelho Geiger altamente sensível, quanta força irradiante perdeu o C14 nela contido. Pode-se calcular assim há quantos anos deixou de absorver carbono pela última vez.
     "O Prof. Libby foi encarregado de realizar a pesquisa. Tomou um pedaço de linho em que estava envolvido o rolo do livro de Isaías, carbonizou-o, introduziu-o numa bateria de tubos Geiger e obteve um resultado surpreendente. O tecido era de linho colhido no tempo de Cristo! Os documentos nele contidos deviam ser, pois, de uma data ainda mais antiga. Depois de pesquisas minuciosas e demoradas, os estudiosos da Escritura chegaram à conclusão idêntica. Com efeito, o texto de Isaías encontrado na caverna de Qumran, como o Prof. W.F. Albright também desta vez tinha sido o primeiro a concluir, fora escrito por volta do ano 100 a.C.!”





 
CONFIRMADA A FIDELIDADE DOS TEXTOS BÍBLICOS!
     Ao se comparar o velho rolo de IsaÍas encontrado na caverna de Qumran com o manuscrito mais antigo de que dispúnhamos (o texto massoretico, datado do ano 916 d.C.), constatou-se que eles eram idênticos, palavra por palavra! Isto demonstrou com que zelo os copistas haviam trabalhado, fazendo cópias das Escrituras a partir dos manuscritos originais (que já não mais existem), ao longo de mais de mil anos.
     Tinham sido fieis e exatos em tudo o que Deus revelara à humanidade através dos profetas. Os mais famosos desses copistas eram conhecidos como massoretas, termo hebraico que significa “Aqueles que zelam pela tradição”. Para termos uma idéia do quanto o texto bíblico que lemos hoje é confiável, vejamos quem eram esses massoretas, e como eles trabalhavam.





 
ESSES HOMENS ENVELHECERAM COPIANDO A BÍBLIA!
     Se não fosse o zelo e a inesgotável paciência dos copistas, que preparavam o maior número de cópias dos originais do Antigo Testamento, hoje praticamente quase todos os seus livros estariam perdidos, pois os papiros eram frágeis, e se desgastavam depois de um certo tempo, principalmente quando expostos à umidade. (Haja vista que os manuscritos descobertos nas cavernas de Qumran só resistiram ao tempo por terem sido guardados dentro de cântaros de barro, e em uma região de clima seco.)
     Crescendo abundantemente nos lugares pouco profundos dos lagos e rios do Egito e da Mesopotâmia, o papiro era uma planta em forma de cana, cuja medula era cortada em tiras. Os copistas juntavam essas tiras umas com as outras, trançando-as em ângulo reto, e em seguida prensavam-nas e colocavam-nas para secar.
     Depois de prensadas, as tiras formavam uma espécie de papel áspero, posteriormente suavizado pelo atrito de uma pedra lisa. Em seguida, várias dessas folhas de papiro eram costuradas umas às outras, formando rolos que mediam até dez metros de comprimento.
     Porém, a fragilidade do papiro levou os copistas a procurarem outro material mais resistente, e assim o papiro foi substituído pelo pergaminho – a pele de ovelhas e de outros animais. Depois de serem submetidas a uma rigorosa raspagem, as peles eram esticadas ao sol. Além de ser mais durável, o pergaminho tornou-se muito mais cômodo, tanto para a formação de rolos como para a escritura em si, e continuou sendo utilizado em todo o mundo antigo, até a Idade Média.
     Na luta contra o desgaste e o desaparecimento dos manuscritos sagrados, destacaram-se, entre todos os que se dedicaram à preservação da Palavra de Deus, um grupo de copistas e estudiosos judeus, os massoretas. Diego Arenhovel afirma que os massoretas “contavam os versículos, as palavras e mesmo as letras de cada livro, para garantir que, com as cópias, não se perdesse a mínima coisa que fosse”.
     Extremamente zelosos com aquilo que faziam, os massoretas, antes de começarem suas atividades de copistas, banhavam-se, vestiam roupas especiais, e todas as vezes que iam escrever o nome de Deus, utilizavam um segundo instrumento de escrita (um estilete, um cinzel ou uma afiadíssima pluma, conforme fosse a “caneta” utilizada na época), especialmente reservado para escrever o Nome que está acima de todos os nomes. 
Graças a esses homens que se dedicaram, com piedade e zelo, a copiar fidedignamente o texto sagrado, hoje podemos ter certeza de que a Bíblia por nós manuseada e lida é a reprodução fiel dos manuscritos originais.






 
QUEM HAVIA ESCONDIDO OS MANUSCRITOS NAS CAVERNAS?
     O mosteiro cujas ruínas se encontravam nas proximidades das cavernas onde os rolos foram encontrados, tinha sido habitado por um grupo de judeus pertencentes à seita dos essênios. Os primeiros religiosos essênios haviam chegado àquela desértica região ás margens do Mar Morto por volta do ano 200 antes de Jesus Cristo.
     Com o passar dos anos, muitos outros judeus, simpatizantes da vida reservada dos essênios, ajuntaram-se à comunidade, e construíram o mosteiro de Qumran. Muitos chegavam ali fugindo da vida agitada das cidades da Palestina, e viam o mosteiro como um refúgio para suas mágoas e desilusões. Tornavam-se monges essênios e passavam a usufruir cotidianamente de suas quietas e bem reguladas horas trabalhando nas hortas e tecendo linho a fim de proverem a comunidade de alimento e vestuário.
     Isso era feito na parte da manhã. À tarde e nas primeiras horas da noite, os essênios liam os livros sagrados, oravam, meditavam e se entregavam à importantíssima tarefa de preparar cópias fiéis dos manuscritos antigos, a fim de que a Palavra de Deus não se perdesse. Preparavam também cópias de muitos outros livros extra-bíblicos.
     Segundo algumas escolas de historiadores, João Batista tinha-se tornado essênio durante suas peregrinações no deserto, e o próprio Jesus teria entrado em contato com essa comunidade, no período que antecedeu seu ministério público. Essa última hipótese é pura especulação.
     No ano 70 depois de Cristo, o mosteiro de Qumran foi agitado pela notícia do fracasso da revolta judaica contra o governo romano, que até então dominara a Palestina (Sobre este assunto, leia o artigo Flávio Josefo, o general que testemunhou a existência histórica de Jesus, postado neste blog).
     Várias batalhas estavam sendo travadas em diferentes lugares, e iam culminar na destruição de Jerusalém e do Templo de Salomão pelas tropas comandadas pelo general romano Tito. Jesus já havia profetizado esse acontecimento (Mt 24.1,2).
     Os essênios sabiam o que aquilo significava para eles: tinham de abandonar Qumran às pressas, pois a 10a. Legião Romana não tardaria a aparecer para matá-los e destruir o mosteiro. A grande preocupação daqueles homens foi esconder todos os livros da rica biblioteca. Os manuscritos do Antigo Testamento estavam correndo perigo! Os essênios poderiam até morrer, mas a Palavra de Deus tinha de ser preservada.
     Os essênios sabiam da existência de umas cavernas muito bem ocultas entre os penhascos próximos ao mar Morto. Elas serviriam de abrigo seguro para os preciosos manuscritos. Trataram então de enrolá-los, revesti-los em panos de linho e colocá-los dentro de estreitos e altos cântaros, que em seguida tiveram suas bocas muito bem vedadas.
     Depois os transportaram para o interior das cavernas, onde eles ficaram esperando, durante quase 2000 anos, que olhos humanos voltassem a contemplá-los!
     Escavações realizadas recentemente nas ruínas do mosteiro de Qumran levaram os arqueólogos a descobrir pedaços de cântaros e restos de tecidos de linho – o mesmo material que havia sido utilizado para proteger os manuscritos escondidos pelos essênios nas cavernas. Também foram encontradas moedas usadas no tempo de Jesus.

OUTRA IMPORTANTE DESCOBERTA

     Além da descoberta dos famosos manuscritos do mar Morto, houve também outras igualmente importantes, tanto no campo da Arqueologia como no da Filologia.
     Quando a pedra de Roseta foi decifrada pelo sábio francês Champollion (a pedra foi encontrada na Delta no Nilo, próximo à Alexandria, e estava recoberta de registros hieroglíficos – sinais que os egípcios usavam como escrita), e quando outros filólogos conseguiram decifrar a escrita cuneiforme, tornou-se possível ler os antigos registros do Egito, da Babilônia, da Assíria e da Pérsia.
     Então, diante de historiadores e sábios, a veracidade e o fundamento histórico, religioso e literário do Antigo Testamento foram indiscutivelmente comprovados.

Jefferson Magno Costa

segunda-feira, 12 de março de 2012

DOCUMENTOS ANTIGOS CONFIRMAM A PROPAGAÇÃO DO CRISTIANISMO NOS PRIMEIROS SÉCULOS DA ERA CRISTÃ

Jefferson  Magno Costa 

A CARTA DO GOVERNADOR ROMANO PLÍNIO, O MOÇO


     Além do que ficou registrado em Atos dos Apóstolos sobre as conversões de milhares de pessoas a partir do Dia de Pentecoste (At 2.41), conversões essas que aumentavam dia a dia (At 4.4,5,14), dispomos de documentos que nos foram deixados pelos escritores da Igreja Primitiva, e por pessoas não convertidas ao Evangelho, como o governador romano Plínio, o Moço. 
     O assunto dessa carta foi os cristãos, que deveriam ser julgados pelo crime de haverem professado a fé em Jesus Cristo. Diz Plínio ao imperador Trajano:
     "Muitos, de todas as idades, sexo, posição social, deverão comparecer perante o tribunal. O contágio desta superstição dilatou-se não apenas pelas cidades, mas também pelas aldeias e pelos campos, levando ao esvaziamento dos templos dos deuses", cofessa o governador. Tal foi o impacto do cristianismo, desde a sua origem!

JUSTINO, O MÁRTIR, E SUA APOLOGIA

      
      Ao escrever, no ano 150 d.C., sua primeira Apologia (documento de defesa), o escritor Justino, o mártir, dedicou esse trabalho em defesa dos cristãos “pertencentes a todas as raças”, conforme ele se expressou. 

      
       Em outro de seus livros, intitulado Diálogo com o Judeu Trifão, Justino afirma que “não há raça, ou grega ou báarbara... da qual não subam orações e ação de graças ao Pai e Criador, em nome de Jesus crucificado.”

TESTEMUNHO DE IRINEU, BISPO DE LIÃO
     No final do II Século, o pastor Irineu confirmou no seu livro Contra as Heresias a existência de muitas igrejas na Germânia, Espanha, Gálias, Egito, Líbia e outros lugares, e acrescentou:

      
      “Como o sol é um e idêntico em todo o mundo, assim a pregação da verdade resplandece em toda parte e ilumina todos os homens que querem chegar ao conhecimento da verdade.”

O TESTEMUNHO DO JURISCONSULTO ROMANO CONVERTIDO AO CRISTRIANISMO TERTULIANO
      Por volta do ano 200 d.C., ao escrever sua Apologia Contra os Gentios (em defesa dos cristãos), Tertuliano afirmou ao Senado de Roma: 
      “Somos de ontem e já enchemos o mundo e todos o vosso império, cidades, ilhas, aldeias, municípios, assembléias, quartéis..., o palácio, o senado, o foro; só não quisemos ocupar os vossos templos.”

CARTA DO IMPERADOR MAXIMINO

      
      Encerramos esta série de documentos com a carta do Imperador Maximino Daia, dirigida a Sabino, no início do IV século d.C., e reproduzida por Eusébio de Cesaréia em sua clássica e famosíssima História Eclesiástica, mostrando o quanto o Evangelho havia penetrado no mundo daquela época:
      “...Os nossos senhores e pais Diocleciano e Maximiniano deram-se conta que quase todos os homens, abandonando o culto dos deuses imortais, entregaram-se à seita dos cristãos.”
     Os lábios dos que já provaram o gosto da salvação têm a responsabilidade de apresentar, em circunstâncias as mais diversas, as provas da grandiosidade, propagação e autenticidade do cristianismo.

Jefferson Magno Costa

sexta-feira, 9 de março de 2012

AMOR: COMO O “VÍNCULO DA PERFEIÇÃO” TORNA POSSÍVEL OBEDECERMOS A TODOS OS MANDAMENTOS DE DEUS


Jefferson Magno Costa

     O motivo por que na vida espiritual não conseguimos nos tornar espiritualmente mais fiéis e a cada dia melhores, é porque consideramos sempre nossos deveres e desafios na sua multidão, e não reduzimos a multidão à unidade.
     Esta é a razão por que a sabedoria e a providência divinas reduziram todas as suas leis a uma só lei, e todos os seus preceitos a um só preceito, que é o do amor.
     Assim o declarou o apóstolo Paulo, o qual a este preceito um e único a que se reduzem todos os outros, chamou vínculo da perfeição: “E, sobre tudo isto, revesti-vos do amor, que é o vínculo da perfeição” (Cl 3.14).
     A perfeição desatada constitui-se em infinitas virtudes, e infinitos atos de cada uma delas; porém atada e reduzida à unidade, é uma só virtude. E o que concluímos disso tudo?
     Concluímos que a perfeição desatada e sem este vínculo, pela multidão em que se divide, é quase impossível de ser alcançada; porém, atada pelo vínculo do amor, pela unidade a que se reduz, torna-se acessível a todos nós.
     Ouçamos, quanto a isto, o ensinamento do próprio Legislador divino, Jesus Cristo:     
     "Respondeu-lhe Jesus: Se alguém me amar, guardará a minha palavra. Meu pai o amará, e viremos para ele e nele faremos morada. Quem não me ama não guarda as minhas palavras...” (Jo 14.23,24).
     Para observarmos a diferença destes termos, não é necessário muito esforço. Aos seus mandamentos, Jesus os chama em um momento minha palavra, e em outro momento minhas palavras.
     Quando lhe chama minhas palavras, diz que não se guardam; e quando lhes chama minha palavra, diz que se guarda. Por quê?
     O próprio Texto Sagrado dá a resposta. É por que, no esforço para a cumprir, uns consideram a Lei de Cristo atada e unida pelo vínculo da perfeição, que é o amor; e outros a consideram desatada e desunida pela falta desse vínculo.
     Quando a perfeição é considerada de maneira desatada, os mandamentos tornam-se muitos, e devido à sua multidão, é muito difícil obedecê-los; porém, quando a perfeição é considerada atada e unida, levando esses mandamentos a se tornarem um só pelo vínculo da perfeição, torna-se facílimo obedecê-los.
     Assim como o apóstolo Paulo, escrevendo aos colossenses, reduziu a perfeição ao vínculo de uma só virtude, como já vimos; da mesma forma, escrevendo aos romanos, depois de relacionar todos os mandamentos, os reduziu a um só (Rm 13.9), e concluiu:
     “De sorte que o cumprimento da lei é o amor” 
 
Jefferson Magno Costa

quinta-feira, 8 de março de 2012

NO DIA INTERNACIONAL DA MULHER, O EXEMPLO DA SUNAMITA

Jefferson Magno Costa    
Texto bíblico: 2º Rs 4.25-26: “Partiu ela, pois, e veio ao homem de Deus, ao monte Carmelo; e sucedeu que, vendo-a o homem de Deus de longe, disse a Geazi, seu moço: Eis aí a sunamita. Agora, pois, corre-lhe ao encontro e dize-lhe: Vai bem contigo? Vai bem com teu marido? Vai bem com teu filho? E ela disse: Vai bem.”

     Estar ou não estar bem conosco é uma situação que depende diretamente de como estamos com Deus. Se estivermos bem com Deus, tudo irá ou estará bem conosco. 
       Mesmo nas situações mais adversas, mais desastrosas, mais aparentemente impossíveis de ser solucionadas, tudo irá bem conosco se estivermos bem com Deus.
     A história da sunamita é uma das mais sólidas confirmações bíblicas de que, mesmo diante da morte, tudo irá bem conosco se estivermos bem com Deus.

QUEM ERA A SUNAMITA

     Quem era exatamente aquela mulher que viajara quase 30 quilômetros, de Suném, cidade onde ela morava, até o monte Carmelo em busca do profeta Eliseu, e agora estava ali parada diante do servo do profeta, ouvindo ele perguntar se tudo estava bem com ela, com seu filho e com seu marido? E de onde ela tirou aquela força, aquela coragem, aquele domínio próprio para responder a Geazi: “Vai tudo bem”?
      Será que estava mesmo tudo bem com aquela mulher? Sim, porque ela estava bem com Deus. E este era o único e suficiente motivo de sua resposta. Pois, na verdade, o seu coração de esposa estava ferido, e o seu coração de mãe, despedaçado.
     A sunamita era uma mulher rica e temente a Deus. Seu marido era dono de campos onde cultivavam cereais. Na primeira vez em que o profeta Eliseu passou por Suném, aquela mulher rica convidou o homem de Deus para almoçar em sua casa. Eliseu aceitou a voltou outras vezes (2º Rs 4.10).

UM CASAL QUE PRATICAVA A HOSPITALIDADE

     Preocupado em proporcionar repouso ao profeta, aquele casal mandou construir um quarto de hóspede no local mais reservado da casa. Estavam praticando aquilo que o autor da carta aos Hebreus recomenda: “Não vos esqueçais da hospitalidade, porque, por ela, alguns, não o sabendo, hospedaram anjos”. (Hb 13.2).
     Vindo certa vez o profeta Eliseu de uma de suas inúmeras viagens pelo país, dirigiu-se à casa da sunamita e lá ficou hospedado no quartinho. Eliseu quis retribuir-lhes aquela gentileza. Mas aquele casal era rico. Quando o profeta se ofereceu para falar em favor da sunamita ao rei ou ao chefe do exército, ela respondeu: “Eu habito no meio do meu povo”.
       Era como se ela estivesse dizendo ao profeta: “Vivo feliz com tudo o que tenho, e graças a Deus, não preciso nem da interferência do presidente da República a meu favor, nem da atuação do comandante da força policial de minha cidade. Vai tudo bem em minha vida, porque eu estou bem com Deus.” “A minha graça te basta”, 2 º Co 12.9.
        Mas Geazi, o moço que servia ao profeta Eliseu, observou que a sunamita não tinha filhos, e que seu marido era velho. Portanto, era necessário que Deus repetisse na vida daquele casal o que ele já fizera na vida de Sara e Abraão, e de tantos outros casais. Eliseu mandou chamá-la e disse-lhe:
       “Dentro de um ano abraçarás um filho”. Ouvindo aquelas palavras, a sunamita agiu também como Sara havia agido: duvidou que sua casa pudesse ainda ser alegrada e aquecida pela presença, o choro e as gargalhadas de alegria de um filho: “Não, meu senhor, homem de Deus, não mintas à tua serva.”

A MORTE ROUBOU-LHE SEU PRESENTE DE DEUS

     Mas, conforme o profeta Eliseu falou, aconteceu. Um menino nasceu naquela casa, cresceu, e certo dia, quando visitava o campo de seu pai, sentiu-se mal, foi enviado de volta para sua mãe, e algumas horas após a angustiante luta daquela mulher em manter acesa a chama da vida de seu único e amado filho, ela viu a criança desfalecer e morrer nos seus braços.
       De repente aquela rica mulher viu-se pobre, miserável. Ali estava ela derramando silenciosamente suas lágrimas sobre o corpo daquele filho que ela não pedira a Deus, porque talvez, na sua humildade, ela tivesse medo de não o merecer, pois já fazia muito tempo que era casada e não tinha filhos. Ela sequer ousaria pedir aquilo que Deus talvez tivesse resolvido nunca lhe dar.
       Mas o Senhor, atendendo a intercessão do profeta Eliseu, deu-lhe aquele filho. Ele chegara naquela casa como uma não mais esperada e suave canção, como um fruto que brotara de plantas já consideradas estéreis pela velhice.
        Mas agora aquele filho se fora, e o que era promessa de risos, de contentamento, de um futuro coroado pela companhia de um belo filho homem que lhe traria uma nora e netos, agora se resumia em abandono, em silêncio e separação.

EM BUSCA DO SOCORRO DE DEUS NO ALTO DO MONTE CARMELO

     Reunindo o que ainda lhe restava de forças, a sunamita abraçou o corpinho do seu filho, subiu até o quarto do profeta Eliseu e o colocou sobre a cama onde o homem de Deus costumava descansar. Em seguida fechou a porta e saiu à sua procura.
        Certamente aquela foi a mais terrível prova que aquela mulher já passou em sua vida. Mas a sua fé em Deus a sustentou durante aquela turbulenta, angustiada e ao mesmo tempo esperançosa viagem. O Deus da força e da consolação a esperava no alto do monte Carmelo.
       Você também tem um monte Carmelo em sua vida? Você sabe como chegar a ele? Você conhece esse lugar de refúgio? Você costuma visitá-lo? 
      Seja qual for o motivo pelo qual você está indo buscar uma resposta no monte Carmelo, no monte da oração, lembre-se que esse é o lugar predileto dos profetas, das sunamitas, dos homens de Deus, das mulheres de Deus, dos jovens de Deus, dos Elias e Eliseus de Deus.
       O monte Carmelo é o lugar onde resolvemos clamar pelo socorro de Deus. Pode ser qualquer lugar, desde que nele resolvamos orar a Deus por sua ajuda.
       Por maior que seja a dificuldade e o desafio que tenha levado você a subir o monte Carmelo, saiba que lá costuma cair fogo do céu para queimar o holocausto de Elias confiantes em Deus.
      Lembre-se que o próprio Deus costuma descer ao monte Carmelo para confortar corações despedaçados, ou confundir profetas de Baal que por acaso estejam perseguindo e desafiando os servos de Deus.

QUEM ERA O MARIDO DA SUNAMITA

     E quanto ao marido da sunamita, estaria tudo bem com ele? Ela disse que sim, porque certamente já o havia entregue nas mãos do Senhor, e para quem está nas mãos do Senhor vai tudo bem, principalmente quando se foi entregue nas mãos de Deus por uma esposa de oração.
       Aquele homem era muito rico, mas distraído e indiferente para com a família e para com as coisas de Deus. Quando o seu pequeno filho sentiu-se mal durante a visita que fez para ver os homens colhendo trigo em sua grande propriedade, ele sequer teve a preocupação de conduzir a criança de volta aos cuidados de sua mãe. Mandou que um dos empregados fizesse isso, e continuou envolvido com os detalhes da colheita.
       E quando sua esposa mandou chamá-lo para pedir que ele liberasse um dos seus funcionários para ir com ela ao monte Carmelo onde estava o profeta Eliseu, aquele homem sequer perguntou como estava o filho, e ainda estranhou o fato de a esposa estar indo em busca do homem de Deus naquele dia, pois não era lua nova nem sábado.
        E o que foi que a sunamita respondeu ao seu marido, àquele homem insensível e materialista, que só se lembrava de Deus em determinadas datas e durante cerimônias ritualísticas e mortas? 
       “Vai tudo bem”, pois a tua vida, o teu coração, o teu apego aos bens materiais, tua displicência paternal, e tua frieza espiritual estão entregues nas mãos de Deus. E Deus fará com que tudo vá bem em tua vida.

AS CINCO LINGUAGENS DO AMOR

     Um dos maiores conselheiros matrimoniais dos Estados Unidos, Pr. Gary Chapman, descobriu que só existem cinco maneiras de nós expressarmos nosso amor para com as pessoas a quem amamos. E cada ser humano é especialmente sensível a uma única dessas cinco linguagens do amor. São elas: Formas de servir, toque físico, palavras de incentivo, recebimento de presentes e qualidade de tempo.
       A primeira linguagem do amor, as formas de servir, explica o fato de haver muitas esposas que só se sentem verdadeiramente amadas se o marido lhes ajudar em casa, realizando algumas tarefas domésticas, como lavar os pratos, dar banho nas crianças, varrer a casa, botar o lixo fora.
       Há outras que só se sentem amadas quando recebem presentes, outras, quando ouvem palavras de incentivo ou de reconhecimento de seu valor, sua beleza e importância dentro do lar; outras são ultra-sensíveis às expressões de amor que têm como base o toque físico, e outras só acreditam que são verdadeiramente amadas quando o marido reserva sempre para elas uma parcela diária do seu tempo, para conversarem e ficarem juntos.
       Você sabe qual é a linguagem de amor da pessoa que você ama?      
       A linguagem que o marido da sunamita usava para expressar o seu amor a ela era a linguagem das formas de servir. Porém, sua esposa e seu filho esperavam que ele um dia utilizasse a linguagem correta para alcançar os seus corações: a linguagem da qualidade de tempo.
        O tempo que aquele pai e esposo dedicava à família era mínimo. Ele vivia a maior parte do seu tempo no campo, ocupado com seu trabalho, com seus negócios, e pouco parava em casa. Por isso, por mais esforços que empregasse trabalhando para o bem-estar da família, a esposa e o filho sentiam-se sempre colocados em segundo plano.

A SITUAÇÃO DO FILHO DA SUNAMITA

     E quanto ao filho da sunamita, estaria mesmo tudo bem com ele? Sim. Porque ele estava bem com Deus. Enquanto sua mãe atravessava os vales e campinas que separam Suném do monte Carmelo, o menino continuava deitado e imóvel sobre a cama do profeta, exatamente como sua mãe o deixara. Seu corpo já estava bem frio, gelado.
       Aqueles pequenos pés que horas antes haviam caminhado por entre as plantações de seu pai, agora jaziam ali, paralisados. Seus lábios infantis já não pronunciavam palavras de solicitude e carinho dirigidas à sua mãe. Seus olhos haviam perdido todo o brilho, e estavam agora fechados para sempre.
       "Menino, vai bem contigo?” E ele poderia nos responder:
        “Sim, vai tudo bem, porque estou sendo levado pelos anjos para brincar nos jardins celestiais do meu Rei.”
        Mas tua mãe te quer de volta, menino. Quer te ver de novo ágil, belo, sorridente e saltitante dentro de casa. Ela está indo ao encontro do homem de Deus para pedir por tua vida. 
      Menino, mesmo sentindo o coração despedaçado, e tendo os lábios em constante oração e os olhos inundados de lágrimas por tua causa, tua mãe ainda encontrará forças para dizer a Geazi que vai tudo bem contigo”, Habacuque 3.17-19.

DIANTE DO HOMEM QUE FALAVA DIRETAMENTE COM DEUS

     Após responder a Geazi e ver o profeta que se aproximava, a sunamita correu, lançou-se aos seus pés e chorou.
        A atitude daquela mulher naquele momento foi outra grande lição que ela nos deixou. Ela não foi buscar socorro no lugar errado ou junto a pessoas erradas. Ela não se dirigiu ao monte da murmuração ou ao monte do desespero, e sim ao monte da oração, da fé e da misericórdia de Deus.
       Não perdeu tempo com pessoas que não podiam ajudá-la. Disse ao marido: “vai tudo bem”, ao perceber sua incredulidade. Disse também ao servo do profeta: “vai tudo bem”, quando sua percepção espiritual a fez entender que aquele rapaz nada podia fazer para ajudá-la.
        Mas quando a sunamita viu-se diante do profeta, o representante do Deus Todo-poderoso, ela lançou-se aos seus pés e chorou amarguradamente. “A sua alma está triste e amargura”, disse Eliseu (v.27), “e o Senhor mo encobriu e não mo manifestou.”
        Os fatos que ocorreram deste ponto para frente provam que o poder de operar maravilhas e profetizar não eram de Eliseu, mas pertenciam ao Senhor. Não estava no cajado ou no bordão de Eliseu, símbolo de sua autoridade profética, mas tão-somente no Senhor, pois se o poder de Eliseu estivesse no seu cajado, Geazi teria ressuscitado o menino, conforme tentou, mas não conseguiu (v.31).
        Acima de tudo, o poder que se manifestava através de Eliseu não era propriedade de Eliseu, pois ele precisou orar muito e aquecer o menino com o calor do seu próprio corpo, para finalmente aquela criança voltar à vida e ser entregue à sua mãe (vv.36,37).
        A sunamita recebeu a sua bênção. Você também pode receber a sua. Vai bem contigo? Como estão suas visitas ao monte Carmelo?

JOSÉ, VAI BEM CONTIGO?

     O monte Carmelo do jovem José foi o poço escuro e úmido da inveja, da traição e do abandono onde os seus irmãos o jogaram, e a prisão de onde ele foi atirado anos depois, após ser caluniado por uma mulher adúltera.
       Mas tanto no poço como na prisão, José falou com o Deus do seu bisavô Abraão, do seu avô Isaque e do seu pai Jacó, e Deus ouviu a oração daquele moço, retirando-o do poço da traição e de trás das grades da calúnia, para transformá-lo em governador do Egito.      “José, vai bem contigo?”  
       “Sim, vai tudo muito bem, porque o Senhor ensinou-me a transformar esse poço e essa prisão em um monte Carmelo onde eu posso alegrar-me e renovar minha fé em suas promessas para minha vida.” 
      Se você, caro jovem, está se sentindo dentro desse poço, eleve os seus olhos e a sua oração até Deus, e ele transformará esse lugar de humilhação em um lugar aprazível e frutífero, em um monte Carmelo.

DANIEL, VAI BEM CONTIGO?

     O monte Carmelo para o profeta Daniel foi a cova dos leões, onde ele foi atirado pela inveja e a perseguição dos príncipes e administradores do rei Dario, da Babilônia.
       Se você atualmente está se sentindo como que vivendo no meio de animais ferozes e ameaçadores, que rondam e rugem ao seu redor no seu local de trabalho, onde você estuda ou onde mora, saiba que o Deus que ouviu a oração de Daniel na cova dos leões, está pronto para enviar um anjo que fechará a boca dos leões e castigará aqueles que perseguem você.      “Daniel, vai bem contigo?”
        “Sim, vai tudo muito bem, porque Deus transformou para mim essa cova de leões em um monte Carmelo.”

SADRAQUE, MESAQUE E ABDENEGO, VAI BEM COM VOCÊS?

     O monte Carmelo para os jovens Sadraque, Mesaque e Abdenego foi a fornalha de fogo onde foram atirados pelos soldados do rei Nabucodonosor.
       Se você é um jovem de oração e resolveu não adorar nem se ajoelhar diante de estátuas de ouro, mas só adorar o verdadeiro Deus, e por isso foi jogado dentro da fornalha de fogo da perseguição e do preconceito religioso, prepare-se para ser surpreendido pela presença de Jesus dentro dessa fornalha.      “Sadraque, Mesaque e Abdenego, vai bem com vocês?”
        “Sim, vai tudo bem. E ficou bem melhor ainda quando descobrimos que o Filho de Deus costuma descer para conversar e passear com jovens perseguidos e lançados dentro de fornalhas de fogo por terem permanecido fiéis a ele, e retirá-los de dentro delas.”

JONAS, VAI BEM CONTIGO?

       O monte Carmelo para o profeta Jonas foi o ventre de um grande peixe onde ele foi parar após desobedecer a ordem de Deus. Jonas negou-se a seguir para Nínive e ali entregar a mensagem de Deus conclamando os ninivitas ao arrependimento. 
       O profeta discordou da misericórdia de Deus, mas foi aquela mesma misericórdia que desceu e o alcançou no mais profundo abismo.
      Dentro do ventre daquele grande peixe, naquele local escuro, viscoso e mal-cheiroso, o profeta Jonas falou com Deus, o Deus que pode todas as coisas, o Deus que desce aos lugares inimagináveis, o Deus que ouve a súplica dos que estão dentro do abismo do desespero e da angústia. (Jn 2.1-10). O estômago daquele animal, aquele abismo terrível, foi transformado para Jonas no monte Carmelo da misericórdia de Deus.
        “Jonas, vai bem contigo?”      “Sim, agora está tudo bem comigo, porque Deus desceu até o lugar onde eu estava e resolveu transformar esse escuro abismo, fruto da minha desobediência, da minha falta de fé e da minha falta de visão espiritual, em um monte Carmelo de misericórdia e livramento.”

CONCLUSÃO:

     Prezado leitor: Não sei qual será exatamente o lugar que Deus vai ter que transformar em um monte Carmelo na sua vida, e nem sei exatamente o tipo de lugar que você vai ter que considerar um monte Carmelo para falar com Deus.
        Porém, jamais se esqueça disto: O Deus que ouviu a sunamita naquele momento de angústia plena, o Deus que ouviu José naquele poço da traição e naquela prisão da calúnia, o Deus que ouviu Daniel na cova dos leões, o Deus que ouviu Sadraque, Mesaque e abdenego na fornalha de fogo ardentíssimo, e o Deus que ouviu Jonas lá no ventre daquele grande peixe, pode ouvir você.
       Esteja onde você estiver, considere-se como e onde se considerar, Deus pode fazer do lugar de provas e lutas em que você está, um local de plenitude, um lugar frutífero de respostas absolutas, maravilhosas, plenas de bênção e paz. Ele pode fazer da sua vida, da situação que mais lhe incomoda e fere, um monte Carmelo de socorro do Céu e bênçãos.

Jefferson Magno Costa

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